Você sabe o que é parentalidade? Segundo o dicionário, parentalidade é “o estado ou condição de ser pai ou mãe”. Já na psicologia, o termo é definido pelo processo de tornar-se o cuidador de uma criança. No direito, a parentalidade é um vínculo jurídico entre um adulto e o menor sob sua responsabilidade.

Então, de maneira geral, podemos ver a parentalidade como um conjunto de fatores, sendo eles biológicos, psicológicos e jurídicos, que tornam uma pessoa pai ou mãe de outra pessoa.

Parece simples e lógico, porque, então, precisamos usar o termo parentalidade com mais frequência?

1. Reduzir a carga materna na responsabilidade da criação dos filhos

Levanta a mão quem já viu algo acontecer com uma criança e logo em seguida o comentário: “mas onde estava a mãe dessa criança que não cuidou?”. Ou quem já viu uma mulher, que tem filhos, estar fora de casa a trabalho ou diversão e ser questionada: “mas onde estão seus filhos?”.

Pois é, ainda temos enraizado em nossa cultura que o filho é responsabilidade da mãe. Em algumas famílias com a configuração pai-e-mãe, ainda se reafirma que quem cuida é a mãe, e o pai ajuda. Um dos nossos valores é a igualdade de gênero e, por isso, não damos dicas de maternidade, mas de parentalidade, já que pais e mães são igualmente responsáveis pela educação de seus filhos.

Em um país com mais de 5 milhões de crianças sem sequer o nome do pai no registro, esse papel da mãe como única referência é reforçado ainda mais.

Porém, o que não se diz é que, muitas vezes, os avós participam ativamente da vida dessa criança privada do convívio com o pai. Algumas vezes, é uma tia ou um tio, outras, amigos da família. 

Por isso, o termo parentalidade, usado por aqui em vários textos, vem para dizer que os filhos não são responsabilidade somente da mãe, mas sim de todos os adultos que participam ativamente da criação de uma criança.

2. Ampliar o conceito de família

Segundo o IBGE, a configuração familiar pai-mãe-filho representa 40% das famílias brasileiras. Ou seja, já não há mais espaço para o que chamamos de família tradicional.

Como falar em maternidade, sendo que muitas vezes crianças são responsabilidade de um pai e uma avó? De que maneira falar de paternidade, quando já contamos por aqui que mais de 5 milhões de crianças brasileiras nem mesmo possuem o nome do pai na certidão? Como falar em pai e mãe presentes, quando muitos casais de mesmo sexo formam incríveis famílias?

Então, o termo parentalidade, no lugar de maternidade ou paternidade, reconhece toda formação familiar, seja com com dois pais, duas mães, um pai ou uma mãe. Independente do gênero e da configuração familiar, a criança possui adultos na função parental, e é com eles que falamos por aqui.

3. Entender a importância do processo de parentalidade

Originalmente, o termo parentalidade vem do processo de tornar-se pais ou mães, que inicia muito antes da chegada de um filho. O processo de parentalidade inicia-se quando somos filhos, ou seja, ainda na nossa infância. A maneira como nossos pais nos criaram, tem grande influência no tipo de pais que seremos.

Papo científico: Segundo Danielle Dittmers, a relação que temos com nossas mães, influência na nossa própria formação materna. Sendo assim, replicamos o que aprendemos no modelo parental de nossos pais.

No processo de parentalidade, são transferidos valores e crenças, que serão a base da educação das crianças.

4. Quebrar padrões de modelos parentais das gerações anteriores

O exercício da parentalidade pode conter práticas parentais positivas ou negativas.  Já sabemos que o processo de parentalidade carrega muito do que nossos pais foram, sendo assim, é natural que façamos algumas coisas apenas repetindo inconscientemente as ações dos nossos pais.

Bater e colocar de castigo, por exemplo, eram práticas extremamente comuns nas gerações anterior. Sabe-se, hoje, que existem inúmeros outros caminhos, através de práticas parentais positivas, que levam a resultados muito mais efetivos.

Então, ao ter conhecimento que carregamos os modelos parentais de nossos pais, podem fazer escolhas muito mais conscientes na nossa própria parentalidade, ao invés de apenas replicar ações que não levam a bons resultados.

infográfico sobre parentalidade

5. Definir o estilo parental que se deseja adotar na família

Lembram-se que, no tópico 3, falamos sobre como o modelo parental de nossos pais influencia nos pais que iremos nos tornar? Então, a grande questão é que, na maioria das vezes, uma crianças possui mais de um adulto no papel parental. 

Algumas vezes são um pai e uma mãe, dois pais, duas mães, uma mãe e uma avó. Enfim, são diversas as configurações parentais e, por isso, as heranças de duas famílias diferentes entram em ação no momento de tomar decisões decisões na vida da crianças.

Então, é de extrema importância que os adultos que estejam no papel de futuros pais, biológicos ou adotivos, estudem e conversem sobre modelos parentais. É confuso para uma criança estar entre dois modelos distintos dentro do ambiente familiar.

Na prática, é o clássico minha mãe não deixa, mas meu pai sim. Isso cria confusão na definição dos valores e crenças que a criança aprende. Então, uma vez definido o estilo parental que se deseja adotar na família, basta que os adultos estudem maneiras de educar a fim de se manter no caminho que foi escolhido.

Já conhecia o termo parentalidade? Fez sentido para você?

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