Você sabia que estima-se que 21% das crianças dos EUA possuem algum transtorno mental? Apesar de não existir uma estimativa para as crianças brasileiras, acredita-se que estamos em um número parecido. Em outro estudo, observou-se que sintomas depressivos interferem negativamente nas funções cognitivas, principalmente na fluência verbal e capacidade de manter a atenção.

Mas a boa notícia é que é possível ajudar seu filho a desenvolver sua inteligência emocional e se proteger de diversos transtornos mentais que podem ser anulados ou minimizados através do desenvolvimento dessa habilidade. Como fazer isso? Continue lendo!

Importante: transtorno mental é papo sério, seja em adulto ou criança. Se você tem dúvidas se o seu filho pode estar sofrendo com algum, procure um especialista. Nenhuma informação encontrada na internet substitui a avaliação de um profissional competente.

1. Entender as próprias emoções

O primeiro passo para o desenvolvimento da inteligência emocional é entender as próprias emoções. É claro que esse entendimento está relacionado à idade da criança e à sua maturidade emocional, que nem sempre são equivalentes, mas é possível trabalhar o tema em qualquer idade.

Lembra do filme Divertidamente? É como se você apresentasse os personagens do filme ao seu filho, ajudando a nomear e entender o que ele sente quando aquela emoção chega.

Para que a criança entenda suas emoções, é necessário que você não invalide o que ela está sentindo, mas sim fale sobre isso. No livro The Happiness Project, Gretchen Rubin conta que quando passou a repetir para a sua filha Eliza o que ela estava sentindo, as crises de choro passaram muito mais rápido.

Funciona mais ou menos assim: eu entendo que você está se divertindo muito brincando agora e está frustrada que precisa parar a brincadeira e tomar banho. Nesse exemplo prático, ela conta que abraçou a filha e ela imediatamente parou de brincar para tomar banho.

Parece magia mas não é. Esse livro conta que 85% das mensagens que os adultos passam às crianças são negativas. Ou seja, “não” e “pare” são palavras tão recorrentes que as crianças simplesmente param de ouvir. Então outras estratégias, apesar de demandarem um esforço de auto controle e paciência, são muito mais eficazes.

2. Entender as emoções do outro

Entender o que o outro está sentindo é, também, uma maneira de aprender inteligência emocional. Ao perceber a emoção do outro, seja outro adulto ou outra criança, seu filho aprende empatia, além de poder relacionar as reações do outro, com as sensações que ele tem ao sentir emoções parecidas.

Então, nada de esconder do seu filho quando você está triste, já que é uma maneira dele entender que todo mundo fica triste às vezes, e tudo bem. E mais, nada de praticar isso só com as meninas! Meninos e meninas tem a mesma necessidade de aprender inteligência emocional.

Homem chora sim! Todo mundo é capaz de sentir as mesmas emoções e todo mundo deve demonstrá-las.

3. Agir mais e falar menos

A educação emocional é mais eficaz a partir dos 30 meses de idade, ou seja, a partir de 2 anos e meio. Sabemos que, nessa fase, as crianças estão em um dos seus momentos mais agitados.

Então, tentar ensinar fazendo com que a criança sente e fique prestando atenção na sua palestra interminável sobre o tema é inviável! Você pode reforçar o conhecimento das emoções através de frases curtas, e ações, e não grandes explicações.

E isso também vale para crianças mais velhas. Imagine a cena, a criança fez uma birra enorme, você seguiu os passos que contamos aqui, conversou com ela depois que ela se acalmou e, mais tarde, chegou em casa estressado do trabalho, gritou e brigou com todo mundo na casa. O que ela acha que ela vai replicar? O que você disse para ela fazer, ou o que você fez?

4. Alimentar a autoestima

É preciso alimentar a autoestima das crianças, mas não, isso não tem a ver com chamá-los de lindos o tempo todo. É preciso que os elogios sejam realmente fundamentados na personalidade delas, e nas capacidades que elas desenvolvem.

Quando você alimenta a autoestima de seus filhos, você está fazendo-os acreditar em si mesmos, e eles se tornarão adultos muito mais corajosos e que se preocupam muito menos com a opinião dos outros.

infográfico como ensinar inteligência emocional para crianças

5. Valorizar a expressão

O mundo anda com dificuldade de se expressar. Basta entrar em uma reportagem em qualquer site de notícias e acompanhar as brigas, sem pé nem cabeça, das pessoas nos comentários da reportagem.

Então, é preciso ensinar as crianças a se expressar e a compreender a expressão do outro. Para isso, vale qualquer tipo de expressividade, seja na arte, no esporte, ou até mesmo, na brincadeira. Isso mesmo, a brincadeira é uma oportunidade da criança entender e mostrar o que está sentindo. 

Observação importante sobre inteligência emocional e resiliência

Você pode ter notado que eu não falei aqui sobre resiliência. Esse artigo, de um psicólogo e um pesquisador, relaciona a resiliência à insensibilidade. Talvez seja o momento de entendermos, como sociedade, que nem sempre é bom suportar toda a carga que nos é colocada. Aquele que decide que não quer mais suportá-la, é capaz de mudar aquilo que o incomoda. Então, para mim, resiliência não é algo a se ensinar para as crianças.

Uma criança saudável emocionalmente não é aquela que não chora, mas sim aquela que sabe compreender o motivo do choro, e é capaz de superá-lo a seu tempo. Concorda?

Gostou do nosso conteúdo? Coloque seu e-mail abaixo e receba, semanalmente, dicas exclusivas no seu e-mail.

Deixe um comentário