A parentalidade é uma parte desafiadora de nossas vidas. Muitas vezes, na correria do dia-a-dia, impomos regras sem nem pensar se são boas para nossos filhos. Então, aqui estão 5 coisas que precisamos parar de obrigar as crianças a fazerem. Quem sabe elas não te ajudam a repensar suas atitudes em relação ao cotidiano dos seus filhos?

Mas porque precisamos parar de obrigar as crianças a fazerem certas coisas?

Algumas regras, principalmente nas áreas da educação e do cotidiano, vem do costume de épocas passadas. Há pouquíssimas décadas, as crianças não ocupavam os mesmos espaços que os adultos. Quando havia uma festa ou reuniões familiares, as crianças ficavam separadas dos pais, em outro ambiente.

Hoje, entende-se que a convivência das crianças em todos os ambientes é importante. Porém, muitas regras que vieram dessa época continuam a serem colocadas em prática. A ideia é te fazer repensar com lista de 5 coisas que precisamos parar de obrigar as crianças a fazerem . E, de repente, mudar alguns cotidianos da sua casa, para que seu filho tenha mais autonomia, e, acima de tudo, seja mais feliz.

1. Dividir brinquedos imediatamente

Crianças brigam por brinquedos o tempo todo. Se você tem dois filhos, ou convive com mais de uma criança, sabe que basta que um comece a brincar com algo esquecido no canto, que o outro logo desperta desejo pelo mesmo objeto.

Então, no momento do conflito, é sempre importante explicar para a segunda criança que quis o brinquedo, que ela precisa esperar a vez dela. Quando o amigo terminar de se divertir com o objeto, ele irá entregá-lo.

Por que não posso obrigar meu filho a entregar o brinquedo imediatamente? Porque ele irá aprender a colocar as necessidades dos outros acima das dele, a diversão do outro em primeiro lugar. Nós não queremos que se torne um adulto que não se prioriza, não é mesmo?

É claro que é importante ensinar a generosidade, mas isso pode ser feito depois que ele já terminou de brincar e outro já está com o brinquedo. Nessa hora, você pode reforçar como é bom compartilhar as coisas.

Você vai perceber, logo de primeira, que o interesse no brinquedo que o outro quer, na maioria das vezes, acaba rápido e sem conflitos. Ah, e não vale usar argumentos como a idade da outra criança, hein? Nada de “ele é bebê e não entende, dá para ele”.

2. Beijar e abraçar pessoas

Principalmente em casos em que a família mora distante, acontecem situações em que os parentes esperam beijos e abraços da criança no reencontro. É comum que a criança negue, por nem mesmo se lembrar daquele parente.

Nesses casos, é preciso se colocar no lugar da criança: você gostaria de ser obrigado a demonstrar afeto por um desconhecido? Pois é, ela também não gosta.

A Marrie, do blog Mamãe Plugada, conta aqui, que ela mesma obrigava sua filha a beijar os avós que moram longe quando se viam. Depois de ler esse artigo, passou a se questionar sobre essa ação.

Papo científico: Segundo Katia Hetter, a obrigação de serem tocadas quando não querem deixa as crianças vulneráveis a abusos sexuais. Parece extremo sim, mas ao obrigar os pequenos , estamos os ensinando a ignorar o que Katia chama de “zona de conforto”.

A sugestão é, no caso de parentes próximos, explicar por que você não obriga a criança a beijá-los e combinar algo que a criança se sinta confortável, como um aperto de mão, ou um toque especial entre eles.

Minha sobrinha nunca foi uma criança de tantos beijos quando chega ou vai embora, mesmo sendo muito próximos, normalmente quer mesmo é correr para brincar. Solução? Meu pai e ela tem um “toque especial”. Quando ela chega, os dois se cumprimentam pulando em círculos. Os dois se divertem e ela continua dentro da zona de conforto dela.

3. Cuidar do irmão mais novo

Sabe aquele frase “não tenho filho desse tamanho”? Pois é. É claro que você pode pedir ajuda ao seu filho em alguns momentos, e eles gostam muito de serem úteis. Porém, tornar a tarefa uma obrigação, uma responsabilidade da criança, é torná-lo adulto antes do tempo, tomando uma responsabilidade que é sua.

Crianças tem o direito de serem crianças, independente da ordem em que nasceram. O irmão mais velho não tem que ser mais responsável antes do tempo só porque um novo integrante chegou na família. Simples assim.

infográfico coisas que precisamos parar de obrigar as crianças a fazerem

4. Parar de chorar

Quando você obriga, ou até mesmo pede, para uma criança parar de chorar, você está a ensinando a não expressar seus sentimentos. Em primeiro lugar, ela se sentirá invalidada em seu sentimentos, acreditando que o que sente não tem valor.

Em segundo lugar, quando ela aprender a regular as emoções, ela vai tentar esconder os sentimentos. O ideal é mostrar empatia. E, se estiver no meio de um momento de birra, pode seguir esses passos aqui.

5. Comer tudo

O pediatra Carlos González, no famoso livro “Meu filho não come!” deixa muito claro que não se deve obrigar as crianças a comerem, “por nenhum método, em nenhuma circunstância, por nenhum motivo”.

Porque não devo obrigar meu filho a comer tudo? Ao obrigar a criança a comer o que não gosta, ou uma quantidade maior do que já consumiu, altera-se a relação da criança com a comida, muita vezes de maneira permanente. Sendo assim, ela levará essa “obrigação de comer tudo” para toda a vida adulta, muitas vezes resultando em obesidade.

E mais, não adianta não obrigar e fazer pressão psicológica como “mamãe vai ficar triste”, “papai não vai brincar se não comer tudo”. O resultado, no final das contas, é o mesmo.

Discorda de algum ponto dessa lista? Vamos conversar aqui nos comentários!

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